Talvez ele tenha visto

 


A vida é mesmo assim.

A gente está sempre procurando se conectar com sentimento e emoções - e como eles não brotam do chão como ervas ou qualquer planta, buscamos suas presenças nas pessoas. Assim o é comigo, desde sempre, por toda a vida.

Mas vou seguir com algo bem recente: essa busca por sentimentos e emoções que eu carrego comigo... e que, claro, trouxe junto para morar comigo na nova cidade para a qual mudei.

Foi em um evento aqui na região, um compromisso com o dever e com o pessoal, de cumprir uma agenda profissional e tentar começar a me socializar, tarefa árdua, mas necessária.

Em meio a tantos olhares, rostos, expressões, sorrisos, falas e cumprimentos eu percebi, num momento específico, que existia ali uma voz que eu queria ouvir, uma mão que eu queria apertar, uma história que eu queria apreciar. Mas só tive coragem de admirar - de longe. Devo arriscar um rápido aceno? Eu tentei ser muito inacessível, talvez era medo de não ser aceito. Será?

Entre fotos e flashes, apresentações e papos rápidos sobre como estavam as ações de trabalho, um elogio ali e outro aqui sobre a organização do evento, meus olhos insistiam em sempre garantir que ali ele continuava. “Onde está? Será que devo cumprimentá-lo? Devo ir até ele? Alguém que o conhece poderia me apresentar! ”. E assim, em meio a estes pensamentos-perguntas-provocações de mim... eu não fiz nada disso.

E, sabe? Que bom que foi assim. Eu fui verdadeiro, ele também.

E é isso que me atraiu: sua forma de se vestir, o seu jeito de sorrir e olhar, sua postura segura, o jeito dele de andar, a face alva e seus cabelos leves, e mesma leveza eu via no olhar.

Ele me viu? Eu me perguntei todo desconcertado em um determinado momento.

Não, não viu.

Viu sim, ele me viu.

Quis me cumprimentar e eu virei o rosto, por quê?

Ah! Por quê?

Existem tantas respostas para estes porquês.

E é aquele velho enredo, não é? De quem quer crescer e ser percebido, mas que carrega aquele velho fardo das tramas passadas que acha definirem sua existência.

Fui chamado para o próximo compromisso da agenda. “Será que ele vai? Como eu poderia me certificar? Será muito óbvio se eu perguntar. Deixa eu me despedir do pessoal primeiro, vai que surge uma oportunidade. ”

E ele conversava atentamente com alguém, um amigo, um par, um colega? Na verdade, nem importa. Que sentimentos lindos tudo isso fez brotar em mim.

Mas, eu queria saber. Estar certo. E não foi possível.

Caminhando pela saída eu tinha a sensação de que fui percebido por ele e ele quis se aproximar. Me virei. Então, o vejo no alto do pátio, olhando despretensiosamente para onde eu estava.

Será?

Não sei.

Ele não foi.

E eu agora sigo fantasiando e descendo ao chão de vez em quando. Pensando em como poderíamos novamente nos encontrar. É interessante poder conhecê-lo. Bom, será interessante se acontecer.

Acredito que possamos muito contribuir na vida um do outro - como profissionais talvez, ou por interesses mútuos.

Mas, eu sonho mesmo é com as emoções e os sentimentos que eu vi brotar, podendo ser colhidos em um café da manhã ao pé da serra, ou ainda naquela viagem para San Francisco. Bom, quem sabe.

 

Alguns Horizontes podem ter sido feitos para se cruzar.

 

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