A emoção que prendia



Hoje, eu não falo com um nome.

Falo com o que você representa.
Você não é uma pessoa, é um espelho das minhas feridas abertas.
Você é o eco de todas as vezes que me silenciei esperando reciprocidade.
Você é o corpo de ausência que vesti achando que era presença.
Você é o reflexo da parte de mim que acreditou que bastava amar para ser amado de volta.

 

Mas, basta!

 

Hoje eu me coloco diante dessa emoção com coragem.
Olho você nos olhos, emoção que fere, que confunde, que prende.
E te reconheço:

Você nasceu de carências antigas,

Da ânsia de ser escolhido,

Do medo de ser esquecido.


Você se alimentou da minha esperança, das minhas idealizações, dos meus silêncios cúmplices.

E por muito tempo, eu te deixei morar em mim.
Achei que, talvez, se eu te desse abrigo, você se transformaria em algo bom.
Mas não. Você cresceu feito sombra.
Me roubou a paz, o sono, o foco.
Fez da ausência um veneno lento.
Me fez achar que minha voz só valia se ecoasse em resposta.
Mas a verdade é que...


A minha voz basta por si só.

Hoje, eu te devolvo ao universo.
Essa dor não é mais minha casa.
Essa espera não é mais minha oração.
Esse apego não é mais minha verdade.

Você, emoção que me prende, não tem mais lugar aqui.

Eu respiro fundo.
E ao expirar, eu solto você.
Com toda a gratidão pelo que me ensinou, mas com firmeza.
Você não me define.
Você não é mais o filtro pelo qual olho minhas relações.
Você não é mais o padrão que repito.

 

Hoje, eu escolho o novo.
Hoje, eu escolho o leve.
Hoje, eu escolho o inteiro.

E ao universo, eu decreto:

Que toda energia que não me pertence volte para onde precisa ir.
Que todo vazio criado seja preenchido de mim.
Que todo ciclo interrompido me liberte, e não me defina.
E que, daqui pra frente, só o que vibra verdade, presença e amor recíproco, permaneça.

 

Eu me despeço com consciência.
Eu encerro com lucidez.
Eu sigo: limpo, livre, inteiro.
E em paz.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Nas ruas de Paris -Tão real quanto um sonho