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Mostrando postagens de junho, 2025

Não é sobre reposta, é sobre paz

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  Eu não te escrevo esperando retorno. Escrevo pra devolver a você o que te pertence, e recolher o que é meu. Por um tempo, eu alimentei a ideia de que entre nós havia algo especial. Talvez tenha existido, sim. Mas o que me faz escrever agora não é a saudade do que foi, e sim o cansaço de carregar sozinho o peso do que não se concretizou. Quando você reapareceu, confesso: meu coração se abriu. Não por ingenuidade, mas porque eu sou alguém que acredita no afeto, na conversa, no recomeço consciente. Esperei que você dissesse algo. Qualquer coisa. Um “não sei o que dizer” já teria sido mais digno que o silêncio. Mas você escolheu sumir de novo. E isso me disse tudo. Não te culpo por não saber lidar. Mas também não aceito mais carregar a frustração de quem se cala. Então, hoje, eu escolho seguir. Não por raiva, não por orgulho. Mas porque eu me mereço inteiro. Você teve a chance de entrar com verdade. E escolheu a fuga. Eu, agora, escolho a paz. Guardo as partes boas, m...

Talvez ele tenha visto - O personagem

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Da série: Talvez ele tenha visto Eu não conheci um homem. Conheci um arquétipo. De longe, com olhos distraídos, avistei uma presença, e essa presença carregava símbolos que falam com partes de mim que, talvez, eu ainda esteja construindo. Nele, vi o silêncio seguro, o gesto calmo, o saber que dança entre a ciência e a arte. Vi o homem que sabe do tempo e do ofício. Vi o olhar que não finge pressa. Vi o que eu gostaria de ter. E por um instante, me encantei. Mas não por ele. Me encantei pelo que ele despertou: A lembrança de que eu posso ser também a presença que magnetiza, o saber que transborda, o gesto que inspira. Ele foi espelho — e não destino. E eu, por um tempo, caminhei na fantasia. Teci diálogos em silêncio, criei futuros em pensamentos, busquei sinais onde havia apenas neutralidade. Mas hoje eu vejo. A energia que eu projetei era minha. O brilho que achei que vinha dele, era meu desejo de me ver brilhar. Então eu o devolvo ao mundo, com carinho. ...

A Vida Que Eu Não Vivi

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  Hoje, enquanto o sol se despedia no horizonte, eu percebi algo profundo. Tão profundo que talvez eu ainda não compreenda completamente. Talvez leve uma vida inteira para assimilar. Mas foi ali, naquele instante dourado do fim de tarde, que vi com clareza: eu passei boa parte da minha vida tentando viver a vida dos outros. Não era por mal. Era por tentativa. Por desespero. Por amor, talvez — ou o que achei que fosse amor. Eu tentei ser meu pai, para compensar a paternidade que ele não soube me dar. Tentei ser minha mãe, para ajustar o relacionamento dela com ele. Tentei ser minha irmã, para curá-la como filha, como irmã, como mulher. Tentei ser amigos, líderes, empresários. Tentei ser vidas. Mas nenhuma delas era a minha. E o mais duro: eu não fiz isso por eles. Fiz por mim. Para que fossem diferentes comigo. Para que me tratassem como eu gostaria. Para que o mundo ao redor me desse aquilo que eu achava merecer. Era uma encenação do que eu julgava bom, justo, aceitável. E ao m...
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  O Passeio Começa com um arrepio. E eu sinto. Sinto o vazio. O corpo se desfazendo. Sinto a alma se movendo dentro de mim, tentando dizer algo que não escuto. Meus ouvidos não captam a frequência que ela emite. Tento calibrar. Subo. Desço. Procuro. Onde está? Onde estou ? Quem sou? E novamente… um arrepio. Ela parece ter me ouvido. E então, responde: em rodopios, em pulsares, em algo que não sei nomear. É mais. É maior. É imenso. Não é só isso aqui. Vai além. "Calma, Douglas", acho que ouço. É ela. É a consciência dizendo: “Nem é isso. Nem é aquilo. É ser o que já se é.” Sem nome. Sem forma. Sem tempo. Sem espaço. É voltar de onde se veio, e perceber — com espanto e alívio — que isso aqui é só um passeio.