Talvez ele tenha visto - O personagem

Da série: Talvez ele tenha visto



Eu não conheci um homem.

Conheci um arquétipo.

De longe, com olhos distraídos, avistei uma presença, e essa presença carregava símbolos que falam com partes de mim que, talvez, eu ainda esteja construindo.

Nele, vi o silêncio seguro, o gesto calmo, o saber que dança entre a ciência e a arte.
Vi o homem que sabe do tempo e do ofício.
Vi o olhar que não finge pressa.
Vi o que eu gostaria de ter.

E por um instante, me encantei.

Mas não por ele.
Me encantei pelo que ele despertou:
A lembrança de que eu posso ser também
a presença que magnetiza,
o saber que transborda,
o gesto que inspira.

Ele foi espelho — e não destino.

E eu, por um tempo, caminhei na fantasia.
Teci diálogos em silêncio, criei futuros em pensamentos, busquei sinais onde havia apenas neutralidade.

Mas hoje eu vejo.

A energia que eu projetei era minha.
O brilho que achei que vinha dele, era meu desejo de me ver brilhar.

Então eu o devolvo ao mundo, com carinho.
E me abraço de volta, com inteireza.

Que o que vi nele, eu cultive em mim.

Que a beleza que admirei, eu descubra em meu espelho.

Que a leveza que busquei, seja a que carrego ao andar.

E que esse encantamento seja ponte, para que eu me reconecte não com ele,
mas com o homem inteiro que já sou.





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