O Passeio

Começa com um arrepio.
E eu sinto.
Sinto o vazio.
O corpo se desfazendo.
Sinto a alma se movendo dentro de mim, tentando dizer algo que não escuto.

Meus ouvidos não captam a frequência que ela emite.
Tento calibrar.
Subo. Desço. Procuro.

Onde está?
Onde estou?
Quem sou?

E novamente… um arrepio.
Ela parece ter me ouvido.
E então, responde:
em rodopios, em pulsares, em algo que não sei nomear.

É mais.
É maior.
É imenso.
Não é só isso aqui.
Vai além.

"Calma, Douglas",
acho que ouço.

É ela.
É a consciência dizendo:
“Nem é isso. Nem é aquilo.
É ser o que já se é.”

Sem nome.
Sem forma.
Sem tempo.
Sem espaço.

É voltar de onde se veio,
e perceber — com espanto e alívio —
que isso aqui é só um passeio.

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