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Ele

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  Tentando reconhecer aquele local, que era tão novo e inesperado, eu pude perceber o quanto o céu estava azul e o sol brilhava amarelo no horizonte iluminando tudo naquele espaço. Eu sorria, era pela alegria de estar ali e também pela sensação de liberdade que sentia. Eu estava reconhecendo aquele espaço. Eu estava no quintal e de repente senti um olhar em minha direção. Eu automaticamente me virei, olhei e o vi observando a casa ao lado. Ele me olhou. Eu senti aquela energia do olhar. Ele alvo e alto. O brilho do sol nos cabelos ruivos causava confusão em minha visão de tal forma que eu não sabia onde um começava e outro terminava. Tinha um interesse no olhar, eu fiquei tão constrangido, mas não consegui me mover. Ele me observava? Eu me questionei. Daí em diante ele seguiu o caminho dele, parecia ter fechado negócio e comprado a casa ao lado da minha. Eu ouvi informações sobre, mas não mais o vi. Toda aquela cena ficou gravada no fundo das minhas retinas. Era fechar os...

Saudades, do quê?

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As palavras estão tentando decifrar a emoção que me tomou por completo esta manhã. Uma sensação de completude e vazio que se misturam no desejo de encontrar aquilo que não está perdido e estar de volta em algum lugar onde nunca estive.  Qualquer tentativa de compreensão é vã, incompleta, frágil e insuficiente. A emoção que me abraça é tão grande, potente e forte que nem consigo me movimentar. Entreguei-me a ela. Canto, Choro, Observo, Escrevo e desejo. Mas o que desejo? O que realmente preciso? Perguntei às cartas e elas disseram que eu devo fazer um simples movimento de ir.  Mas nem elas sabem onde é este lugar. Talvez não seja um lugar externo, talvez não seja um ponto de chegada. Caminhos internos são mais difíceis de encontrar e percorrer do que aquela rua ali virando a esquida do meu bairro. O objetivo talvez não seja chegar, mas simplesmente ir. As palavras talvez tenham decifrado algo desta emoção que me tomou pela manhã. Eu sei que sou completo e também sei que tenho e...

O Os Encerramentos Sem Finais

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  Todos os dias quando acordo e vou à cozinha, você, Os Encerramentos Sem Finais, está sentado na mesa do café, sem dizer uma palavra, apenas me acompanhando com o olhar. Esse semblante sem sinais claros. Os olhos sem brilho e os lábios frouxos dependurados na face. Nenhum movimento ocorre além do giro de sua cabeça na direção de onde vou. Eu passo meu café, sento à mesa, tento ignorar sua presença até que ouço um profundo suspiro. Eu tenho certeza que esse movimento veio de você, mas quando o olho não há sinal de movimento da respiração, nada em seu semblante mudou, continuam lá, os olhos frios e agora já secos, os lábios frouxos como que obrigados a estarem ali abaixo do nariz que nem parece respirar. Nenhum musculo facial se mexe. Como você soltou este suspiro? Eu já perdi a noção do tempo em que lhe encontro aqui todas as manhãs. Já faz dias que sua presença é totalmente ignorada por mim, haja vista a quantidade de coisas em que me ocupo e os dias, que são muitos, em que ...

A emoção que prendia

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Hoje, eu não falo com um nome. Falo com o que você representa. Você não é uma pessoa, é um espelho das minhas feridas abertas. Você é o eco de todas as vezes que me silenciei esperando reciprocidade. Você é o corpo de ausência que vesti achando que era presença. Você é o reflexo da parte de mim que acreditou que bastava amar para ser amado de volta.   Mas, basta!   Hoje eu me coloco diante dessa emoção com coragem. Olho você nos olhos, emoção que fere, que confunde, que prende. E te reconheço: Você nasceu de carências antigas, Da ânsia de ser escolhido, Do medo de ser esquecido. Você se alimentou da minha esperança, das minhas idealizações, dos meus silêncios cúmplices. E por muito tempo, eu te deixei morar em mim. Achei que, talvez, se eu te desse abrigo, você se transformaria em algo bom. Mas não. Você cresceu feito sombra. Me roubou a paz, o sono, o foco. Fez da ausência um veneno lento. Me fez achar que minha voz só valia se ecoasse em respos...

Não é sobre reposta, é sobre paz

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  Eu não te escrevo esperando retorno. Escrevo pra devolver a você o que te pertence, e recolher o que é meu. Por um tempo, eu alimentei a ideia de que entre nós havia algo especial. Talvez tenha existido, sim. Mas o que me faz escrever agora não é a saudade do que foi, e sim o cansaço de carregar sozinho o peso do que não se concretizou. Quando você reapareceu, confesso: meu coração se abriu. Não por ingenuidade, mas porque eu sou alguém que acredita no afeto, na conversa, no recomeço consciente. Esperei que você dissesse algo. Qualquer coisa. Um “não sei o que dizer” já teria sido mais digno que o silêncio. Mas você escolheu sumir de novo. E isso me disse tudo. Não te culpo por não saber lidar. Mas também não aceito mais carregar a frustração de quem se cala. Então, hoje, eu escolho seguir. Não por raiva, não por orgulho. Mas porque eu me mereço inteiro. Você teve a chance de entrar com verdade. E escolheu a fuga. Eu, agora, escolho a paz. Guardo as partes boas, m...

Talvez ele tenha visto - O personagem

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Da série: Talvez ele tenha visto Eu não conheci um homem. Conheci um arquétipo. De longe, com olhos distraídos, avistei uma presença, e essa presença carregava símbolos que falam com partes de mim que, talvez, eu ainda esteja construindo. Nele, vi o silêncio seguro, o gesto calmo, o saber que dança entre a ciência e a arte. Vi o homem que sabe do tempo e do ofício. Vi o olhar que não finge pressa. Vi o que eu gostaria de ter. E por um instante, me encantei. Mas não por ele. Me encantei pelo que ele despertou: A lembrança de que eu posso ser também a presença que magnetiza, o saber que transborda, o gesto que inspira. Ele foi espelho — e não destino. E eu, por um tempo, caminhei na fantasia. Teci diálogos em silêncio, criei futuros em pensamentos, busquei sinais onde havia apenas neutralidade. Mas hoje eu vejo. A energia que eu projetei era minha. O brilho que achei que vinha dele, era meu desejo de me ver brilhar. Então eu o devolvo ao mundo, com carinho. ...

A Vida Que Eu Não Vivi

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  Hoje, enquanto o sol se despedia no horizonte, eu percebi algo profundo. Tão profundo que talvez eu ainda não compreenda completamente. Talvez leve uma vida inteira para assimilar. Mas foi ali, naquele instante dourado do fim de tarde, que vi com clareza: eu passei boa parte da minha vida tentando viver a vida dos outros. Não era por mal. Era por tentativa. Por desespero. Por amor, talvez — ou o que achei que fosse amor. Eu tentei ser meu pai, para compensar a paternidade que ele não soube me dar. Tentei ser minha mãe, para ajustar o relacionamento dela com ele. Tentei ser minha irmã, para curá-la como filha, como irmã, como mulher. Tentei ser amigos, líderes, empresários. Tentei ser vidas. Mas nenhuma delas era a minha. E o mais duro: eu não fiz isso por eles. Fiz por mim. Para que fossem diferentes comigo. Para que me tratassem como eu gostaria. Para que o mundo ao redor me desse aquilo que eu achava merecer. Era uma encenação do que eu julgava bom, justo, aceitável. E ao m...