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Mostrando postagens de 2025

A emoção que prendia

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Hoje, eu não falo com um nome. Falo com o que você representa. Você não é uma pessoa, é um espelho das minhas feridas abertas. Você é o eco de todas as vezes que me silenciei esperando reciprocidade. Você é o corpo de ausência que vesti achando que era presença. Você é o reflexo da parte de mim que acreditou que bastava amar para ser amado de volta.   Mas, basta!   Hoje eu me coloco diante dessa emoção com coragem. Olho você nos olhos, emoção que fere, que confunde, que prende. E te reconheço: Você nasceu de carências antigas, Da ânsia de ser escolhido, Do medo de ser esquecido. Você se alimentou da minha esperança, das minhas idealizações, dos meus silêncios cúmplices. E por muito tempo, eu te deixei morar em mim. Achei que, talvez, se eu te desse abrigo, você se transformaria em algo bom. Mas não. Você cresceu feito sombra. Me roubou a paz, o sono, o foco. Fez da ausência um veneno lento. Me fez achar que minha voz só valia se ecoasse em respos...

Não é sobre reposta, é sobre paz

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  Eu não te escrevo esperando retorno. Escrevo pra devolver a você o que te pertence, e recolher o que é meu. Por um tempo, eu alimentei a ideia de que entre nós havia algo especial. Talvez tenha existido, sim. Mas o que me faz escrever agora não é a saudade do que foi, e sim o cansaço de carregar sozinho o peso do que não se concretizou. Quando você reapareceu, confesso: meu coração se abriu. Não por ingenuidade, mas porque eu sou alguém que acredita no afeto, na conversa, no recomeço consciente. Esperei que você dissesse algo. Qualquer coisa. Um “não sei o que dizer” já teria sido mais digno que o silêncio. Mas você escolheu sumir de novo. E isso me disse tudo. Não te culpo por não saber lidar. Mas também não aceito mais carregar a frustração de quem se cala. Então, hoje, eu escolho seguir. Não por raiva, não por orgulho. Mas porque eu me mereço inteiro. Você teve a chance de entrar com verdade. E escolheu a fuga. Eu, agora, escolho a paz. Guardo as partes boas, m...

Talvez ele tenha visto - O personagem

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Da série: Talvez ele tenha visto Eu não conheci um homem. Conheci um arquétipo. De longe, com olhos distraídos, avistei uma presença, e essa presença carregava símbolos que falam com partes de mim que, talvez, eu ainda esteja construindo. Nele, vi o silêncio seguro, o gesto calmo, o saber que dança entre a ciência e a arte. Vi o homem que sabe do tempo e do ofício. Vi o olhar que não finge pressa. Vi o que eu gostaria de ter. E por um instante, me encantei. Mas não por ele. Me encantei pelo que ele despertou: A lembrança de que eu posso ser também a presença que magnetiza, o saber que transborda, o gesto que inspira. Ele foi espelho — e não destino. E eu, por um tempo, caminhei na fantasia. Teci diálogos em silêncio, criei futuros em pensamentos, busquei sinais onde havia apenas neutralidade. Mas hoje eu vejo. A energia que eu projetei era minha. O brilho que achei que vinha dele, era meu desejo de me ver brilhar. Então eu o devolvo ao mundo, com carinho. ...

A Vida Que Eu Não Vivi

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  Hoje, enquanto o sol se despedia no horizonte, eu percebi algo profundo. Tão profundo que talvez eu ainda não compreenda completamente. Talvez leve uma vida inteira para assimilar. Mas foi ali, naquele instante dourado do fim de tarde, que vi com clareza: eu passei boa parte da minha vida tentando viver a vida dos outros. Não era por mal. Era por tentativa. Por desespero. Por amor, talvez — ou o que achei que fosse amor. Eu tentei ser meu pai, para compensar a paternidade que ele não soube me dar. Tentei ser minha mãe, para ajustar o relacionamento dela com ele. Tentei ser minha irmã, para curá-la como filha, como irmã, como mulher. Tentei ser amigos, líderes, empresários. Tentei ser vidas. Mas nenhuma delas era a minha. E o mais duro: eu não fiz isso por eles. Fiz por mim. Para que fossem diferentes comigo. Para que me tratassem como eu gostaria. Para que o mundo ao redor me desse aquilo que eu achava merecer. Era uma encenação do que eu julgava bom, justo, aceitável. E ao m...
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  O Passeio Começa com um arrepio. E eu sinto. Sinto o vazio. O corpo se desfazendo. Sinto a alma se movendo dentro de mim, tentando dizer algo que não escuto. Meus ouvidos não captam a frequência que ela emite. Tento calibrar. Subo. Desço. Procuro. Onde está? Onde estou ? Quem sou? E novamente… um arrepio. Ela parece ter me ouvido. E então, responde: em rodopios, em pulsares, em algo que não sei nomear. É mais. É maior. É imenso. Não é só isso aqui. Vai além. "Calma, Douglas", acho que ouço. É ela. É a consciência dizendo: “Nem é isso. Nem é aquilo. É ser o que já se é.” Sem nome. Sem forma. Sem tempo. Sem espaço. É voltar de onde se veio, e perceber — com espanto e alívio — que isso aqui é só um passeio.

Talvez ele tenha visto

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  A vida é mesmo assim. A gente está sempre procurando se conectar com sentimento e emoções - e como eles não brotam do chão como ervas ou qualquer planta, buscamos suas presenças nas pessoas. Assim o é comigo, desde sempre, por toda a vida. Mas vou seguir com algo bem recente: essa busca por sentimentos e emoções que eu carrego comigo... e que, claro, trouxe junto para morar comigo na nova cidade para a qual mudei. Foi em um evento aqui na região, um compromisso com o dever e com o pessoal, de cumprir uma agenda profissional e tentar começar a me socializar, tarefa árdua, mas necessária. Em meio a tantos olhares, rostos, expressões, sorrisos, falas e cumprimentos eu percebi, num momento específico, que existia ali uma voz que eu queria ouvir, uma mão que eu queria apertar, uma história que eu queria apreciar. Mas só tive coragem de admirar - de longe. Devo arriscar um rápido aceno? Eu tentei ser muito inacessível, talvez era medo de não ser aceito. Será? Entre fotos e flashes, apr...